Crítica de cinema: Filme sobre Lava Jato é útil, didático e merecia ser feito

Antes de entrar em detalhes, cabe dizer que o filme “Polícia Federal: A Lei é Para Todos” tem muito mais qualidades que defeitos enquanto cinema.

Não chega a ser uma obra-prima da sétima arte, mas acredito que essa nunca foi uma pretensão de seus realizadores e nem de seu diretor, Marcelo Antunez.

Mesmo assim é um filme de ação com todas as letras. Inclusive com trechos de tensão eletrizante.

Está claro, no entanto, que a intenção provável não era elaborar um épico, mas simplesmente contar uma história pública e notória –que merecia ser contada.

Como toda história, ela tem um fio narrativo e o ponto de vista abordado, por mais que petistas e lulistas esperneiem, é o de uma instituição confiável e que até hoje se mostrou isenta: a PF.

Para quem acompanha a operação com atenção jornalística desde os primórdios (meu caso), é visível que há algumas licenças “poéticas” e exageros cinematográficos, mas isso é parte do encanto do cinema.

ELENCO DE PRIMEIRA

O elenco é irretocável e respeitável, e, nele,  três atores chamam a atenção: Antonio Calloni, como o delegado Ivan, Flavia Alessandra, como a policial de inteligência Beatriz, e Ary Fontoura, como Lula.

Calloni porque está sempre dando banhos de atuação, seja em que papel for, na TV ou no cinema;

Alessandra porque traz um raro frescor ao filme, no papel de uma policial sem vida social ou afetiva;

Por fim, Fontoura porque, apesar de não se parecer em NADA com Lula, consegue mimetizar o gestual e o timbre do ex-presidente em poucos minutos.

Um dos personagens mais comentados desde que o filme surgiu no radar, o do juiz Sergio Moro, interpretado por Marcelo Serrado, é praticamente anódino. Em português claro, sem graça.

É preciso ser muito militante ou tapado para dizer que o filme é panfletário, porque simplesmente não é.

O roteiro culpa políticos pela corrupção? Sim. Mas também empresários. Envolve o PT? Claro, mas peemedebistas e membros de outros partidos também estão na roda.

E o mais importante: dá alguma esperança em um país melhor? De forma alguma.

Por acaso estamos descrevendo alguma mentira?

É preciso ser alienado ou parvo para dizer que sim. É a ficção a serviço da realidade de um país comandado por escroques, tanto os da esfera pública como os empresários; e o filme diz isso com todas as letras e sem nenhuma cor partidária.

CURITIBA CONTRA O CRIME

Na verdade, “Polícia Federal: A Lei é Para Todos” lembra vagamente um episódio longo (e bem feito) de “Nova York Contra o Crime” (poderia ser, talvez, “Curitiba contra o Crime), “NCIS” ou coisa que o valha.

Até a trilha sonora remete a seriados de ação e investigação da TV paga.

Também não vai parar por aí. No próximo ano virá a segunda parte, que começa quando um certo apaniguado do atual governo PEEMEDEBISTA sai de uma pizzaria carregando uma mala de dinheiro.

Como disse Flavia Alessandra, em uma mensagem no twitter, “Só o dia de ontem (em que R$ 51 milhões em espécie foram encontrados num apartamento na Bahia) já daria um outro filme.”

Alessandra tem razão. Mas o Brasil talvez não inspire mais filmes de ação.

Isso aqui está muito mais para terror.

Filme: Polícia Federal: A Lei é Para Todos

Onde: Em cartaz nos cinemas

Avaliação: Bom 🌟🌟

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Assista ao trailer do filme:

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Sobre:

Ricardo Feltrin é colunista do UOL desde 2004. Trabalhou por 21 anos no Grupo Folha, como repórter, editor e secretário de Redação, entre outros cargos.

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